Em condições normais gosto de manter um espírito positivo, mas bolas, às vezes exageram.
Muito se tem falado da crise, e das exportações que são o “el dorado” da salvação nacional. Que temos que comprar menos ao estrangeiro para poder gerar mais riqueza etc.
Ok. Até ai tudo bem. Não é difícil ao comum dos mortais, entender que temos que gastar menos do que ganhamos, correcto?
Agora há uma coisa que me deixa completamente de rastos, que é, quando fazemos alguma coisa de bem, e de repente estragamos tudo. Livra!!!
Recentemente fiz uma pesquisa pela base de dados da Eurostat, e seleccionei os indicadores de exportações com carácter tecnológico. Veja-se o gráfico a baixo.
Será que estou a ver bem?
Durante a primeira década do século XXI, Portugal foi um dos países com maior superavit na exportação de tecnologia em toda a Europa. Ou pelo menos até 2009, ano em que a crise foi mais notada. Mas isso foi a nível mundial, não havia muito a fazer.
A nossa balança comercial modificou-se! Nós já não somos um país de mão de obra barata e desqualificada. Nas duas últimas décadas, os serviços e os sectores com mais incorporação de tecnologia aumentaram a sua participação de forma significativa na nossa balança comercial.
A questão não é a quantidade
É a qualidade. Se conseguimos fazer bem tecnologia de ponta, eu arrisco-me a dizer que podemos fazer quase tudo! Senão vejamos:
Tínhamos uma boa industria conserveira – abandonámos tudo – mas fazíamos bem (abraço especial ao nosso presidente Cavaco).
Tínhamos uma das melhores industrias de aço na Europa – abandonámos tudo – mas fazíamos bem
Compramos quase tanto azeite a Espanha como o que exportamos – mas fazemos bem.
E por aqui me fico que a ideia deste post é ser positivo, mas confesso que isto de escrever tantas vezes a palavra tínhamos causa-me uma certa irritação.
Intelectualmente não devemos nada a ninguém
Ok, faço só uma pequena ressalva ali na rua de S.Bento, que parece não ter melhoras.
Mas o país não é só Lisboa, e ainda bem.
Ainda bem porque a nossa capacidade de inventar, e de produzir, vem de nós como um povo. Se há 500 anos fomos capazes de fazes uns barcos e descobrir meio mundo, hoje, tenho a certeza que vamos conseguir dar a volta e criar novamente algo completamente novo, que nos faça sentir realizados, e bem com nós próprios.
Só nos falta uma ou duas reformazitas no estado, e um bocadinho menos de impostos. De resto, estamos quase lá.
Os sectores considerados pelo Eurostat para o gráfico acima são os seguintes:
Aerospace, Computers-office machines, Electronics-telecommunications, Pharmacy, Scientific instruments, Electrical machinery, Chemistry, Non-electrical machinery, Armament. The total exports for the EU do not include the intra-EU trade. There is a break in the series 2006/2007 due to the revised product classification (SITC). However, the grouped large product categories titles remained the same.

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