Nos últimos meses tem sido notícia as constantes quebras na bolsa, em particular relativamente à banca. Bancos como o BCP, ou o BPI perderam 75% e 50% do seu valor em bolsa desde o inicio do ano. E então? Isto quer dizer exactamente o quê?
Em primeiro lugar o que são acções?
Uma acção é a participação de alguém no capital da empresa. Em teoria, o seu valor é baseado na expectativa de distribuição de lucros dessa empresa aos accionistas. É um direito sobre os futuros lucros da empresa. Ou seja, se existirem 100 acções da empresa http://alaranjaazul.blogspot.com, e eu possuir 1 acção, tenho direito a 1% dos lucros da empresa. Assim se a empresa distribuir 1000€ de dividendos, eu terei direito a 10€.
A questão está no facto de as empresas não distribuírem necessariamente os lucros pelos accionistas. Aquilo que é feito na grande maioria dos casos, é o reinvestimento na expansão da empresa, ou no pagamento da dívida desta.
E os accionistas não estão a ser enganados
Ao expandir-se, ou amortizar a dívida de forma controlada, a empresa está a aumentar a perspectiva de lucros futuros. É por isso que o mercado bolsista na sua forma pura, deve ser visto como um mercado de longo prazo, e não de lucro imediato. Em vez de lhes serem pagos dividendos, os accionistas são recompensados pelo diferencial do valor da acção.
O problema está no risco
Este é que é o ponto. É previsível que as empresas apresentem lucros todos os anos. O que não é previsível é quanto. Se este ano http://alaranjaazul.blogspot.com pode dar um lucro de 1 000 000€, para o ano pode muito bem ir à falência. Logo, os accionistas têm que avaliar a sua rentabilidade das formas que lhes é possível. A incerteza ligada aos lucros futuros da empresa, e o risco associado, é que em conjunto vão fazer o valor da acção. No caso dos bancos a exposição à dívida externa de outros países, nomeadamente a Grega, faz com que o risco de investimento nessas acções seja de tal forma elevado, que o seu valor já caiu em alguns casos 75%.
Isto é a teoria
Porque na prática, os investidores estão mais interessados em especular sobre as tendências de subidas e descidas de valores bolsistas, com vista à obtenção de dinheiro rápido, do que se preocupam com regras de mercado. Um mau relatório de resultados trimestrais de uma qualquer entidade, não é analisado nem estudado, ou é positivo ou é negativo, a reacção bolsista ou é positiva ou é negativa, nunca se sabe em quanto.
No fundo, acabam por ter um comportamento irracional. É apenas especulativo, a pensar no seu próprio lucro no curto prazo.
Sem stress
A parte boa, é que as pessoas que trabalham, são pagas com base, não em resultados bolsistas, mas em resultados operacionais. E, felizmente para todos nós, em especial para todos os trabalham diariamente num banco, ou cuja actividade depende indirectamente destes, eles continuam de portas abertas e a facturar.
Os bancos não foram à falência. Continuam a gerar dinheiro, e a pagar salários e as facturas aos fornecedores. O reflexo da actividade bolsista não é o reflexo da actividade operacional da empresa. Desde que a operação continue a funcionar bem, e apresentar resultados, tudo o resto é possível de ser resolvido.
A esta altura, quem está mal, com mais cabelos brancos e alguns ataques cardíacos, são os “operadores” que estão na bolsa. Felizmente, ainda não são os trabalhadores.
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