sábado, 5 de novembro de 2011

Temos que voltar a ser artesãos

Mas agora com máquinas!
Desde meados do séc. XVIII com inicio da revolução industrial, que os artesão são uma espécie em vias de extinção. Dedicados na sua arte e paciência à execução das mais variadas peças de todo o tipo de coisas que podemos imaginar, poucos são aqueles que sobreviveram, ou que se criaram ao longo dos tempos e que hoje ainda podemos chamar de artesão.
Para mim é necessário criar uma nova espécie desta raça quase extinta. Uma espécie geneticamente modificada, em que são reforçadas as melhores características, mantendo ou melhorando as qualidades que os caracterizam. Continuamos a ser desenrascados, e inteligentes como desde sempre o fomos, a grande diferença, é que hoje temos energia eléctrica, computadores com sistemas CAD, maquinaria da maior diversidade possível.

Estou a pensar em artesãos industriais
É de relativo consenso, que cada vez mais cada individuo faz as suas opções de compra com base nos seus gostos, e cada vez menos nas suas necessidades básicas. Essas já estão satisfeitas.
Ora aqui temos um grande desafio para o mundo industrial em que tudo é feito em grande escala, com o objectivo de fazer o mais barato possível.
Eu detesto ver alguém com uma camisa igual à minha. A caneta que uso, é única na sala. Até o meu carro, tem uma decoração diferente de todos os outros da mesma marca e modelo. Gosto de coisas que são diferentes.
Assim como eu, o mercado está a assumir essa tendência. Hoje temos tecnologia ao nosso dispor como nunca tivemos. Como conseguir criar valor utilizando meios industriais no apoio à diferenciação, pode muito bem ser uma das forma de sair da crise.

E aqui Portugal tem uma grande vantagem
Ser pequeno às vezes tem coisas boas. Sermos poucos não é uma delas. Mas ser diferente é!
Ora vejamos:
  1. se somos pequenos, temos menos clientes.
  2. se temos menos clientes, temos menos trabalhadores
  3. se temos menos trabalhadores, temos uma estrutura de custos mais barata
  4. se somos mais baratos no custo, menos a pensar, mas, pensarmos melhor, tivermos mais imaginação e formos capazes de dar ao nosso cliente o que ele quer
  5. então estamos a acrescentar valor
  6. se acrescentamos valor, os clientes aceitam pagar mais pelo nosso produto
  7. se pagam mais pelo nosso produto, ganhamos mais dinheiro
  8. se ganhamos mais dinheiro, podemos contratar mais pessoas para ter mais produção, para vender mais, para ganhar mais dinheiro
Temos que aceitar as coisas como elas são. Se qualquer um de nós tivesse nascido sem um braço ou uma perna, vai-se queixar disso toda a vida, ou vai lutar, e tentar adaptar o seu dia-a-dia para tentar chegar sempre mais longe?

Dito assim até parece fácil
Mas não é. Para que esta transformação possa acontecer temos que mudar o chip, a nossa maneira de encarar a nossa vida, a sociedade que nos rodeia, a própria forma de fazer negócios.
Há muitas estratégias, mas só há dois pontos em comum a todas elas: a coragem de as criar, e o desafio de as implementar.

Num próximo post vou falar um pouco sobre a (re)definição das curvas de valor do produto. É uma das ajudas para Portugal sair da crise. Outra, pode ser mantermos-nos positivos.

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