terça-feira, 1 de novembro de 2011

Televisão Digital Terrestre TDT

Será a TDT um passo para a TDI (Televisão Digital Interactiva)?

Mais um problema?
A TDT está a chegar. Para a maioria de nós, é apenas mais uma caixa que temos que comprar para podermos continuar a ver televisão. Mas será só isso?
Bom, na realidade a TDT permite mais algumas funcionalidades do que aquelas que são actualmente disponibilizadas pelos sistemas tradicionais terrestres. A primeira vantagem, é a nítida melhoria ao nível da imagem e de som. A possibilidade de ter acesso à grelha de programas, e no caso de alguns gravadores com disco rígido, é possível gravar os programas para ver mais tarde. Estes são alguns dos argumentos para a mudança. Mas isso não marca uma grande diferença para os sistemas tradicionais. Isto é só a ponta do Icebergue!
A verdadeira mais valia deste novo sistema é a interactividade.
A interactividade está a chegar, e não há nada que a possa parar. A revolução que vamos viver em Janeiro de 2012 (embora possa não parecer uma revolução), é equiparada com aquela que aconteceu com evolução da internet no final dos anos 90. A partir de certo momento, os utilizadores passaram a ter poder de decisão sobre os conteúdos que queriam ver. Com um clique, podíamos mudar o programa e ver outra coisa, completamente diferente daquela que estávamos a ver apenas um momento antes. Se aparecia uma janela de publicidade, podíamos simplesmente fecha-la.

Há alguém que goste de assistir a uns bons 20 minutos de publicidade?
Se pensarmos um pouco no panorama tecnológico actual, não é difícil de imaginar que tanto os computadores portáteis como os de secretária estão a chegar ao fim como os conhecemos. Os primeiros estão condenados a ser substituídos por novas ferramentas de produtividade, substitutos dos actuais tablets. Os segundos, por nada mais nada menos que aquilo que conhecemos actualmente como televisores. Se a tecnologia no caso dos primeiros ainda tem muito caminho para percorrer, no caso dos segundos, começam já ser disponibilizados no mercado, alguns modelos de televisores com características de um híbrido entre os dois aparelhos.
Hoje em dia toda a informação está em rede, com um browser é possível ter acesso a todo o tipo de informação. A gestão de conteúdos é feita cada vez mais através de rede em vez da tradicional televisão. Com a interactividade os dois mundos ficam mais próximos. Muito próximos.
Se os televisores passam a poder estar ligados à rede, a gestão de conteúdos é feita em directórios e actualizada via RSS. Ou seja, o termo grelha de programação deixa de fazer sentido no termo tradicional, porque passa a ser o utilizador a fazer a sua grelha de programação.
Se pensarmos esta realidade como: eu só vejo o que decido que quero ver, quando quero/posso, então, cada utilizador/telespectador apenas vai estar atento aos conteúdos que tem realmente interesse em ver. Por exemplo, posso programar o meu televisor para me dar apenas as notícias de economia do jornal de hoje, ou as noticias de economia dos vários canais de que sou subscritor.
Isto, mais que uma revolução, é um novo conceito de comunicação.
Imaginem o conceito de share deitado ao lixo. Sim é disto que estamos a falar. Vamos ter que deixar de medir quantas pessoas estão alapadas em frente à televisão numa determinada hora, para passar a medir num determinado espaço temporal, quantas visualizações teve determinado programa. Seja qual for o “canal” em que é “transmitido”. Ou seja, em vez de canais, passamos a falar em produtores de conteúdos.

Quem produz o quê?
O sucesso das pessoas que fazem “televisão”, passa a estar directamente ligado à qualidade do conteúdo que produzem quase de forma instantânea. A publicidade, que é especifica para um determinado perfil de cliente, passa a ser apresentada apenas ao cliente que está pré-definido como tendo esse perfil, independente do conteúdo a que está a assistir. Como? Através das sua própria pesquisa por conteúdos, pela classificação do perfil de consumidor a que a aquele conteúdo se destina quando é produzido. Os produtores de conteúdos passam a ser os próprios editores desses mesmos conteúdos. A forma como é decidido produzir este ou aquele programa, passa a ter que estar a assente em critérios muito rigorosos de público alvo, sob pena de não haver ninguém para ver aquilo que a produtora está a criar.
Os directores de programação passam a ser directores de conteúdos.

Estamos apenas no inicio.
Num futuro não muito distante, a TDT terá forçosamente que evoluir para uma realidade semelhante aquela que está já a ser disponibilizada pela web, sob pena de sofrer danos irreversíveis. É por isso que na minha modesta opinião, não vamos demorar muito a assistir a uma guerra (saudável) pelo controlo de conteúdos na TDT, em forma de directório ou outros eventualmente mais imaginativos. Melhor dizendo, à gradual transição de TDT, para TDInteractiva.

Ver

Sem comentários:

Enviar um comentário